
Davi, Golias e os sindicatos
A história de Davi todos conhecem. Diz a bíblia que estavam os israelitas em guerra contra os filisteus. Diz também que como era costume da época, para evitar se estraçalharem a golpes de espada, algumas tribos escolhiam dois combatentes para decidir a luta. Assim se evitava um grande derramamento de sangue. Davi, israelita, era um garoto ainda e cuidava das ovelhas do pai, enquanto os irmãos maiores estavam na guerra. Certa manha, ao levar comida para os irmãos, enfrentou o gigante Golias, guerreiro filisteu, que já a quarenta manhãs debochava dos israelitas, convocando um que fosse para com ele lutar, sem êxito. Diz a história que Davi aceitou o convite, enpunhou uma funda e arremessando uma pedra certeira abateu o gigante. Essa história todos conhecem, mas onde entra aqui o sindicato?
Para a sorte de Davi, e azar de Golias e dos filisteus, naqueles tempos ainda não existiam os sindicatos. As coisas se resolviam na base da espada (ou da funda, no caso em questão). Façamos uma mentalização, uma sutil comparação entre essa conhecida história e nossos dias, em relação às classes trabalhadoras e os governos, os grupos no poder e alguns sindicatos. Desnecessário dizer quem é quem nessa história. Mas nos é imperioso usarmos as devidas definições para entender o que DEVERIA ser um sindicato: “associação de trabalhadores que legalmente representa uma categoria; sua direção deve ser formada a partir da indicação da base e deve este (o sindicato) defender os interesse das categoria que represente”. Isso DEVERIA ser um sindicato, assim DEVERIAM ser escolhidos seus lideres, assim os sindicatos DEVERIAM se comportar. Mas o que dizer de sindicatos que traem sua base, os trabalhadores que os elegeram? O que dizer de sindicatos que são flagrados com as mãos em malas cheias de dinheiro, dinheiro que recebiam para trair seus filiados? O que dizer de sindicatos que durante décadas tem os exatos mesmos representantes? O que dizer de sindicatos que se aliam ao governo e passam a fazer parte da máquina burocrática, do sistema que deveriam combater? Que em troca de favores, se aliam a partidos, a governos, aos grupos aos quais deveriam fazer frente de oposição ou no mínimo de honesta negociação, a favor não deles, mas dos seus filiados, de sua categoria? A cada dia mais podemos comparar os sindicatos ao que eles mais têm se parecido: com uma verdadeira máfia, ao modelo das máfias italianas, chinesas ou russas. Vendem uma “proteção” que não oferecem, cobram por serviços que não existem, travam lutas de sangue para se manterem no poder, ameaçam e perseguem caninamente quem os delate ou ouse enfrentar. E não são muitos os mortos nas lutas sindicais? Quantos já não morreram (ou chegaram perto disso) por saberem demais ou por ousarem questionar ou mesmo disputar o poder com esses cães de guerra?
A história dos sindicatos no Brasil nos mostra que desde a era Vargas eles se transformaram no que não deveriam ser. Cooptados pelo governo Varguista, passaram a fazer propaganda pura e simples do “pai dos pobres”. Fizeram mais, se aliaram ao poder institucional. Só teriam direitos garantidos (as propaladas leis trabalhistas de Vargas), quem fosse sindicalizado. E só os sindicatos ligados ao governo eram legalmente permitidos. De Vargas aos nossos dias, mudou alguma coisa? Sim, mudaram os nomes de quem ocupa o poder…
De Vargas aos nossos dias, os sindicatos, uma imensa maioria pelo menos, tem se prestado ao trabalhoso desserviço de mover mundos contra a categoria que deveria representar. Vide a APLB Sindicato, por exemplo, já há tempos a trair os professores licenciados do Estado. E não consultam as bases e fecham acordos hediondos que claramente prejudicam aos trabalhadores… E muitos desses trabalhadores, mansamente, como ovelhas (sic) não se rebelam e continuam alimentando os sindicatos, com seus religiosos pagamentos mensais, descontados religiosamente em seus contra cheques. As bases das categorias também têm sua parcela de culpa nesse jogo sujo do sindicalismo brasileiro. Em parte são enganadas, em parte se deixam enganar, ou por medo, sabe-se lá de que ou de quem, ou por puro comodismo ou alienação. E assim, de eleições fraudulentas em eleições fraudulentas, de governos mal escolhidos a governos que mudam de teoria e prática ao chegarem no poder, caminha a humanidade, sempre guiada pelos rumos peleguistas de alguns sindicatos venais e desgovernos inescrupulosos.
Davi teve sorte, além de boa pontaria, óbvio. Houvesse naquela época um “sindicato israelense organizado” para direcionar a ação contra os filisteus, é bem provável que ele houvesse “apoiado” aberta e integralmente a Davi, e depois o teria munido com bolas de barro cru, uma funda estragada, sabotada e rota. Depois da luta iriam festejar em banquete orgiástico com Golias e demais filisteus. Bem ao estilo de alguns sindicatos atuais…
Josafá Santos
Historiador, Esp. em Educação
Josafasantos@yahoo.com.br
Obs.: Os artigos do quadro “dos nossos leitores” são postados pelo NN, mas NÃO são escritos pelos nossos redatores e representam a opinião do internauta.






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1 comentário ↓
1 RGS(pesquisador) // 9 de Abril de 2008 às 10:32
Comparativamente-Os sindicatos não precisam serem extintos, para que sejam resolvidos os problemas, envolvendo membro ou membros corruptos.Discordo.
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