Cá entre nós

23 de Abril de 2008, às 22:27h

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O Beco I

Toda cidade ou lugarejo que se preze tem um beco. Por Beco entende-se rua estreita e curta igual a tantas existentes no Pelourinho, em Salvador. Em Vitória da Conquista a Travessa 13 de Maio é o beco mais famoso, também conhecido como “Beco de Paulinho”. Ali, todo final de tarde, a turma se reúne para discutir os mais variados assuntos, geralmente temas pertinentes à cidade, principalmente sobre política. Entre uma cerveja e outra a turma do beco opina, julga, condena e absolve. Às terças-feiras e quintas-feiras o cardápio é sempre o mesmo: o julgamento do prefeito Zé Raimundo, em Brasília. “De hoje não passa”, assegura um jurista.

O Beco II

Mais de três anos se passaram e o prefeito José Raimundo e seu staff continuam à frente da administração municipal. O processo contra o ex-candidato [José Raimundo] começou por aqui, no Fórum João Mangabeira, subiu para o Tribunal Regional Eleitoral, em Salvador, de onde saiu para o Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília. Pela turma do beco o candidato Zé Raimundo não seria eleito. Foi. Não tomaria posse. Foi empossado. Não ficaria um ano no cargo. Está há mais de três. Não terminará o mandato. Ninguém sabe. Enquanto isso, desce mais uma gelada e a previsão continua.

Embromação

Não é só a turma do beco que torce pela saída do prefeito José Raimundo. Há quem afirme que dentro do próprio Partido dos Trabalhadores conquistense têm muitos que querem ver o prefeito pelas costas. A turma do contra fica grudada na internet todas as terças-feiras e quintas-feiras para acompanhar o julgamento, pelo Tribunal Superior Eleitoral, do processo de cassação do prefeito José Raimundo e do vice Gilzete Moreira. O tempo passa, o TSE não julga e o prefeito não sai. Haja embromação.

Sucessão

Há pouco mais de cinco meses para as eleições municipais os pré-candidatos se engalfinham em busca de espaço. Em Vitória da Conquista muitos dão como certa a volta do ex-prefeito e deputado federal Guilherme Menezes ao comando da prefeitura municipal. Para que isso não aconteça depende muito do processo de julgamento do prefeito Zé Raimundo. Zé sendo cassado assume a prefeitura Alexandre Pereira, presidente da Câmara de Vereadores, e aí pode mudar o rumo da sucessão. Se isso acontecer antes da convenção do partido, Pereira será, sem dúvida, o indicado para suceder, nesse caso, a si mesmo. Por enquanto tudo depende do TSE. Como se vê, Brasília é mesmo a cidade das decisões.

Orelha em pé

Dizem que se Alexandre Pereira não sair candidato a prefeito também não vai tentar renovar o mandato de vereador. Essa decisão tem preocupado seus principais assessores que não querem vê-lo fora da política. Pereira, por outro lado, tem dito reservadamente que deseja outros vôos e a vereança já não mais o entusiasma. Como se sabe, Alexandre Pereira é um dos novos bacharéis em Direito, formado pela Fainor e aprovado pela OAB, por isso pode estar de olho em outro poder: o judiciário. Se de fato isso acontecer, o Poder Judiciário ganhará é um excelente profissional. Essa incógnita de Alexandre, porém, tem deixado seus assessores de orelha em pé.

Viva o povo

A partir de janeiro do próximo ano a Câmara Municipal de Vitória da Conquista terá quinze vereadores. Tudo porque o Congresso Nacional não votou o Projeto de Emenda Constitucional que aumentaria o número de vereadores em todo o país. Em Vitória da Conquista eram esperados vinte e um edis e por conta disso alguns candidatos já estavam de ternos engomados. Com isso, prevalece a decisão da justiça eleitoral e as quinze vagas da Câmara deverão ser disputadas por cerca de trezentos candidatos. Todos têm o mesmo objetivo: “ajudar o povo”.

Nova Novela

Dia 19 de agosto (avisando antes para se prevenir) estréia a propaganda eleitoral no rádio e na televisão. O programa, uma espécie de Big Brother pela improvisação, fica no ar até do dia 2 de outubro. Até o fim do programa milhares de palavras serão ditas e encontradas as soluções para todos os problemas que afligem a comunidade. Emprego e renda não vão faltar para o povo, assim como a melhoria na saúde, na educação, na segurança, nas estradas e outros setores carentes. Basta votar no fulano ou naquela cicrana. As promessas são as mesmas. E o povo? O povo não aprende, só apanha!

Enroscada

O Tribunal de Constas dos Municípios - TCM - está numa enroscada. O órgão foi criado para ajudar o legislativo a fiscalizar os atos do poder executivo na aplicação dos recursos públicos. Por tabela também fiscaliza (ou deveria) o próprio legislativo. O TCM é por assim dizer, o inimigo número um dos maus gestores exatamente porque investiga, denuncia, multa e rejeita as contas consideradas irregulares. O efeito da macumba inverteu e agora é o próprio TCM o investigado. Entre as denúncias estão: altos salários pagos aos diretores (apadrinhados), mordomias dos conselheiros e contratação irregular de pessoal. Assim fica difícil. Cabe a promotoria pública esclarecer os fatos.

Ouvidoria

A Câmara de Vereadores e a Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista criaram, em parceria com o governo do estado, a ouvidoria. O objetivo, segundo dizem, é ouvir os clamores da comunidade. Com certeza reclamação não deve faltar. Resta saber o que será feito depois. Pelo visto nem a Câmara e nem a Prefeitura acreditam na imprensa ou fizeram como a Justiça, colocaram uma venda nos olhos (e um tampão nos ouvidos). Denúncias, reclamações e clamores da comunidade todo dia alimentam os noticiários locais. Quer ouvidoria melhor?

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1 comentário ↓

  • 1 RGS(pesquisador) // 24 de Abril de 2008 às 9:54

    Um texto interessante, bem informativo.Com respeito, ao enredo- do cassa ou não cassa o mandato do prefeito-J. Raimundo!.Apenas teem desgastado o PT, no seu planejado retorno ao executivo municipal.A oposição poderá e deverá, aproveitar desse momento.

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