Varela culpa as elites

28 de Maio de 2008, às 16:55h

Por ora, a bomba anunciada antecipadamente pelo pré-candidato à Prefeitura de Salvador pelo PRB, Raimundo Varela, sobre o episódio trapalhão envolvendo o PSDB e uma provável aliança com Antonio Imbassahy, deu em traque de massa. Ao retornar à TV Itapoan, hoje, o apresentador, temendo a legislação eleitoral mediu as palavras, fez blague, bem ao seu estilo, e responsabilizou as “elites”.Falou nas entrelinhas e o mundo político entendeu. As “elites” devem ser codificadas como as organizações partidárias que o isolaram de possíveis alianças, quer no âmbito da elite tradicional da política baiana (PFL, hoje, DEM); quer as novas forças das “elites” organizadas em torno do PMDB, PT, PSB e PDT, entre outros. Tem sentido, pois, tanto o DEM quanto o PT têm suas “elites”. Um exemplo disso foi a eleição de Walter Pinheiro, nas prévias.

Varela não sinalizou concretamente se fica ou se sai. Ao lado de Zé Eduardo, o qual, o substitui no horário das 13h, afirmou que tem como aliado forte o povo. “Nós estamos com o povo, amamos o povo e o povo nos ama”, disse. Orientado pela direção da emissora, Bocão também mediu muito bem as palavras: “Se um dia, Varela for eleito pelo povo [uma pausa] comunicador do século, vocês vão ter que engolir esta espinha […] de tanta obra, vocês são uns obrados”.

Como o povo sozinho não elege ninguém, pois, necessita de um guia político, uma organização partidária, logística, dinheiro e mensagem, Varela está isolado. Obviamente que tem um enorme cabedal de votos, justamente esse povo que tanto fala, diariamente, no rádio e na TV, e teme deixá-lo órfão. Daí a angústia porque passa o apresentador.

Varela está com uma espinha travada na garganta, com imensa vontade de falar. O momento ainda não chegou, mas, certamente falará. Varela tem um estilo direto e não guardará esse segredo revelando ao seu povo quem foi o representante (ou representantes) das “elites” que está atrapalhando seu caminho à Prefeitura de Salvador

fonte: Bahia Já

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2 comentários ↓

  • 1 Zé do Bode // 28 de Maio de 2008 às 20:21

    Ahahah esse Varela é mesmo um palhaço demagôgo e hipócrita. Será que ele esqueceu de Fernando José quando administrou Salvador ? O povo me ama e eu amo o povo…. Voce acredita blogueiro ?

  • 2 dom // 31 de Maio de 2008 às 15:55

    Não vejo demagogia conformando o caráter político do radialista “Raimundo Valéria”, mas, sim, uma tamanha falta de experiência atuante na Administração Pública que deixa toda sua reputação popular de “onisciente político” na berlinda. Ressalvando a melhor crítica, situo que falta nele a devida compreensão que o provoque discernir o agir do criticar, mas, que essa conjuntura política atual é bem diferente do período em que Fernando José administrou (ou tentou administrar) a capital baiana. àquela época havia uma superestrutura de boicotagem absurda, sufocando, inclusive, as melhores ações políticas dirigidas ao bem-estar da coletividade; motivo pelo qual pintou-se uma imagem dantesca do, também radialista, Fernando José, gerando um estigma a todo profissional radialista em vias de candidatura, sugerindo o entendimento maniqueísta e grosseiro de que radialista não tem idoneidade para cargos políticos.

    Outro ponto que merece acentuação: desde a origem de sua determinação para a candidatura municipal de Salvador-Ba, ficou visível que Valera pega o embalo da histeria do povo, que o consagra principalmente por sua liberalidade de enquadrar a massa social durante fugazes minutos na moldura televisiva. Tal permissividade traz um efeito comparável a uma sensação de orgasmo para um povo amargamente desassistido pelo Estado e que tem a televisão como um oráculo de toda a sua base cultural, política e social - em que pese o emprego do poder deformador na transmissão das mensagens. Tanto isso é verdade que as notícias “in loco” apresentam uma população mais ansiosa para ficar diante das câmeras, supondo uma habilidade reservada para o cobiçado mundo da idolatria. Então, Varela visto pelo povo como um “agente da fama”, aglutinou um contingente eleitoreiro que tem subjacente ao clamor multitudinário de “solução” a veleidade da fama, fazendo de seu candidato um instrumento pragmático para a concussão desse fim.

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