De 2005 até o início deste mês, 2.686 crimes sexuais contra crianças e adolescentes foram registrados na Bahia

31 de Maio de 2008, às 10:29h

Bruno Wendel, do Correio da Bahia O número é assustador - de 2005 até o início deste mês, foram registrados 2.686 crimes sexuais contra crianças e adolescentes na Bahia, de acordo com o Centro de Defesa da Criança e do Adolescente Yves de Roussan (Cedeca-BA). Na maioria dos casos, os crimes são cometidos por pessoas da família ou ligadas ao núcleo familiar das vítimas, tais como pais, padrastos, tios e vizinhos. Embora os dados sejam estarrecedores, o diretor executivo do Cedeca, Waldemar Oliveira, disse que o estado vem avançando no combate ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes.

Segundo Oliveira, há dois perfis de criminosos. O primeiro é quem comete o abuso sexual sem qualquer tipo de contrapartida. Na maior parte dos casos, são pessoas de confiança das vítimas, que usam de ameaças para submetê-las a seus caprichos. É comum o envolvimento de pais, padrastos, tios, avós e vizinhos. “Normalmente, os crimes são cometidos na ausência da mãe, que, devido ao trabalho, deixa os filhos sozinhos com alguém em quem julgar confiar. Depois que conseguem a primeira vez, os criminosos passam a ameaçar as vítimas de morte ou então prometem contar aos pais delas o que fizeram”, disse Waldemar.

Em grande parte dos casos de pedofilia, a violência sexual é praticada contra crianças de 2 a 9 anos, por serem mais vulneráveis. Muitas vezes, os abusos são descobertos por vizinhos ou pelos pais, depois de muito tempo. Há situações em que meninas passam anos servido como “escravas sexuais”. Com a ausência ou a morte da mãe, as garotas chegam a ser obrigadas a dormir na mesma cama com o próprio pai. “Isso é um absurdo”, reconhece Waldemar.

O segundo perfil de criminoso do gênero é o explorador sexual, mais comum no interior do estado e em regiões turísticas, que alicia as vítimas em troca de dinheiro, brinquedos e até alimentos. Na maioria dos casos, os crimes são praticados por fazendeiros, comerciantes ou pessoas com boa situação financeira, que normalmente tiram proveito de crianças e adolescentes que residem em regiões periféricas.

Punição - Waldemar explica que, até 1997, a Bahia tinha uma situação caótica em relação ao combate à pedofi-lia. No ano seguinte, com a criação das duas varas específicas (1ª e 2ª Varas Especializadas em Crimes contra Crianças e Adolescentes), houve uma mudança significativa no quadro e, conseqüentemente, maior eficiência na punição dos criminosos. “Antes, os processos prescreviam, ou seja, eram arquivados pela demora no julgamento, e os criminosos ficavam impunes”. Além da Bahia, apenas Pernambuco, Ceará e Maranhão dispõem de varas especializadas neste tipo de crime.

Das 1.572 ocorrências registradas este ano na Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Criança e o Adolescente (Derca), a maioria delas, cerca de 60%, está relacionada a crimes sexuais. As vítimas são encaminhas à especializada e, posteriormente, ao Instituto Médico-legal Nina Rodrigues, para que seja feito o exame de corpo de delito. Constatada a violência, elas são levadas ao Projeto Viver, órgão ligado à Secretaria de Segurança Pública da Bahia, onde recebem atendimento psicossocial.

Segundo a delegada plantonista Simone Malaquias, o número pode ser bem maior, pois há casos que não chegam à especializada. São abusos cujas vítimas são crianças ou adolescentes de classe média ou alta. “Os pais preferem resolver por conta própria, como um ‘assunto de família’, e não vêm à delegacia, temendo que o fato se torne público”, informou. Malaquias alerta, entretanto, que a denúncia ainda é a medida mais eficaz para combater a pedofilia.

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SINAIS DE ALERTA

Atentar para mudanças comportamentais nos filhos, tais como a libido precocemente aflorada
Não deixar os filhos sozinhos com vizinhos
Observar com quem os filhos andam
Manter o hábito do diálogo com os filhos

Veja entrevista com Rosilene Moreira (DEAM) sobre a situação de Conquista

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