Tatuadores dizem que moda é ‘fechar’ partes do corpo

31 de Julho de 2008, às 10:59h

Do G1, no Rio entre em contato

Foto: Emerson Martins / Divulgação

Emerson Martins / Divulgação

Axl ainda vai passar por quatro sessões de três horas e meia nas mãos de Flávio Lin (Foto: Emerson Martins / Divulgação)

Foi-se o tempo das estrelinhas atrás da orelha. Os cariocas estão perdendo a preocupação com a discrição na hora de fazer uma tatuagem e têm optado por ‘fechar’ partes do corpo, gíria que significa cobrir completamente a pele com tattoos.

Lúcio Tattoo, dono da rede de estúdios de tatuagem Banzai, comemora o fato de estar recebendo muitos clientes em busca de trabalhos grandes. “É a consolidação da profissão de tatuador. Tenho feito muitos trabalhos nas costas, no comprimento das costelas e nos braços, inteiros ou meia manga”, diz ele.

Para Flávio Lin, que tatua no estúdio Tribo do Sol, em Copacabana, e na loja U2, em Botafogo, as tatuagens grandes fazem mais sucesso com o público masculino.

Foto: Bruno Assumpção / Divulgação

Bruno Assumpção / Divulgação

Tattoo de carpa e dragão ‘fechando’ perna, abaixo do joelho (Foto: Marcos Ribeiro / Divulgação)

“Os homens preferem áreas como costas, braços e pernas. As mulheres, quando fazem esse tipo de tattoo, normalmente escolhem a lateral da região lombar, a lateral das costas ou as escapulas. Mas também recebo algumas dispostas a fechar o braço”, conta o tatuador, que também aponta diferenças nas escolhas dos temas das tatuagens.

 Tatuar o braço inteiro custa R$ 1,5 mil

“Mulheres, mesmo quando fazem tatuagens maiores, optam por temas delicados, como florais. As imagens tradicionais japonesas como carpas e dragões são preferência dos homens”, diz ele, que explica que uma tatuagem de braço inteiro, por exemplo, leva cerca de dez sessões de três horas e meia de duração até ficar pronta e custa R$ 1,5 mil.

O empresário Axl está tatuando o braço direito, do ombro aos pulsos, em motivos tribais. Ele conta que resolveu ‘fechar’ o braço, porque o desenho que quer fazer não ficaria bem em tamanho pequeno.

Foto: Arquivo pessoal

Arquivo pessoal

A tattoo da DJ tem 30 cm, mas ela se arrependeu de não ter ’fechado’ as costas com a imagem (Foto: Arquivo pessoal)

“Eu já tinha o projeto de fazer uma tattoo há um tempo, mas demorei a chegar a um desenho. Acabei fechando nessa idéia dos tribais com o sol no ombro e não teria como fazer sem fechar”, relata.

A DJ Duda Moura também optou por fazer a tatuagem em tamanho grande para poder valorizar a imagem que quer reproduzir na pele: quadros de Salvador Dalí, Edvard Munch e Pablo Picasso.

 Alguns desenhos só ficam bonitos na pele em tamanho grande

“Decidi fechar a perna, porque queria tatuar essas obras de arte e não teria graça fazer em tamanho pequeno. Ficaria sem definição. Tenho nas costas o desenho da divindade hindu Shiva e também fiz grande para conservar os detalhes. Até me arrependo de não ter feito maior. Na época, pensei em ‘fechar’ as costas, mas desisti por causa da dor”, diz a DJ.

Para o tatuador Flávio Lin, as tattoos estão ‘aumentando’, porque estão perdendo o estigma negativo que tinham na sociedade.

“As tatuagens estão começando a serem vistas como algo bom. Por isso, as pessoas têm sentido menos a necessidade de escondê-las e estão partindo para as tatuagens maiores. Isso dá mais liberdade ao cliente, pois é possível fazer desenhos que só ficam bem em tamanho grande”, conta ele.

Foto: Arquivo pessoal

Arquivo pessoal

Duda ainda vai passar por duas sessões de quatro horas e meia de duração para preencher traçado do desenho (Foto: Arquivo pessoal)

 Moda chegou antes em São Paulo

Para o delegado do Sindicato das Empresas de Tatuagem e Body Piercing do Brasil no Rio de Janeiro, Wanderley de Souza Pontes, a popularização das tatuagens contribuiu para que elas ficassem maiores, mas ele acrescenta que a moda de ‘fechar’ partes do corpo está chegando ao Rio com atraso.

“Essa é uma tendência já antiga em São Paulo. Há um tempo, os paulistas vinham para cá e todo mundo estranhava, mas agora ‘fechar’ braços, costas ou pernas, por exemplo, já é mais comum aqui no Rio”, explica.

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