De nada adiantou a medida do governo federal de isentar, no mês de maio, os produtores de trigo e os donos de panificadoras do recolhimento do Programa de Integração Social e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (PIS/Cofins) e da taxa de 25% cobrada pelo frete nas importações.
Vendido a preços que variam entre R$2,70 e R$8,50 o quilo, a depender do bairro e local onde é comercializado, o pãozinho francês não baixou de preço nos estabelecimentos de Salvador, mesmo com a queda de cerca de 12% da farinha. Para a população, resta buscar um substituto para o produto.
Segundo o presidente do Sindicato de Panificação de Salvador (Sindipan), Mário Pithon, a redução do tributo federal não influenciou tanto, já que muitas padarias são enquadradas no Simples. “Para que haja uma queda efetiva nos preços praticados pelo mercado, existe a necessidade de o governo do estado reduzir o ICMS na farinha de trigo em 30%”, defendeu.
Pithon, que é proprietário da rede Deli & Cia, disse que mesmo com a queda do trigo, os custos de produção ainda são muito elevados, o que inviabiliza um repasse para o consumidor final. “Sabemos que a farinha baixou, mas existem outros custos embutidos no valor do produto que não baixaram”. Os vilões responsáveis pela manutenção dos preços em alta são: energia elétrica e encargos com mão-de-obra.
Oscilação - Mário Pithon informou ainda que a farinha de trigo de boa qualidade (tipo A) chegou a ser comercializada entre abril e maio por R$115. Agora, a mesma saca com 50kg está sendo vendida por R$95. “Mesmo com essa queda, de setembro do ano passado a fevereiro deste ano, houve uma alta acumulada de 64% no trigo. Nesse mesmo período, o pão não acompanhou esse aumento. Portanto, podemos concluir que a redução da matéria-prima não pode incidir diretamente no valor final junto ao consumidor”.
O pior de tudo, segundo o presidente do Sindicato de Panificação da capital, é que não há previsão de queda para o pãozinho a médio e curto prazos. “Ainda mais se levarmos em consideração que a tendência mundial é a elevação no custo nos insumos. Infelizmente, temos que falar para a população que uma queda efetiva no valor só será possível após alguma grande novidade do mercado, a exemplo da venda do trigo nos patamares anteriores”.
Consumidor de baixa renda é o mais prejudicado – Enquanto os empresários do setor defendem a manutenção do preço do pão comercializado atualmente, a presidente do Movimento das Donas de Casa da Bahia, Selma Magnavita, diz que deveria haver uma queda efetiva no valor. Segundo ela, o consumidor final, principalmente, o de baixa renda, é o mais prejudicado com os altos preços do pãozinho no mercado.
“Se eles aumentam quando há variação no mercado, por que não baixar quando há queda”. A lógica para a população, segundo a dirigente do movimento de donas de casa, é que o lucro para o empresário vem da quantidade do produto vendido. “Portanto, se vendem mais a preços mais baixos, ganham mais com o aumento da venda”.
Em resposta, o presidente do Sindicato de Panificação de Salvador, Mário Pithon, disse que é arriscado baixar o valor do pão diante de uma queda de apenas 12% na farinha de trigo, “justamente, por não haver garantias de que ela não voltará a subir”. Por isso, ele defende o empresariado e diz que a categoria não pode ser taxada sempre como os “bandidos da história”. “Não há exploração da nossa parte. Até porque, o custo do produto não depende apenas de nós, mas sim de toda uma cadeia produtiva e do próprio governo”.
Cuscuz é uma saída - O pão francês ocupa um lugar de destaque no cardápio da população brasileira. Segundo a nutricionista Andréa Ferreira, isso se dá principalmente pela questão do sabor e da praticidade. “O pãozinho faz parte da vida das pessoas. Além de prático, é rico em carboidratos e fonte de energia”.
Diante dos altos preços cobrados pelo produto em Salvador, a especialista recomenda a substituição do pão por alimentos como o cuscuz de milho e raízes. “Sugestões boas para o dia-a-dia são inhame, aipim, fruta-pão e a batata-doce, que também possuem alto valor energético e são fontes de carboidratos”.
INDÚSTRIA DO PÃO
1 O preço da farinha de trigo contribui diretamente no custo do pão francês. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), essa dependência é de 40% do valor final do produto.
2 O Sindicato de Panificação de Salvador garante que o preço final do pãozinho depende do custo de produção e de onde está instalada a indústria, além do tipo da farinha de trigo utilizada.
3 As medidas do governo federal de isentar os produtores e donos de panificadoras do recolhimento do (PIS/Cofins) e da taxa de 25% cobrada pelo frete nas importações valem até 31 de dezembro deste ano. Os empresários do setor já estão se articulando para que elas sejam prorrogadas em, no mínimo, seis meses.
*Fonte: iBahia





