A trajetória de Tita no Vasco terminou após a eliminação diante do Palmeiras, na Copa Sul-Americana. Longe de São Januário, ele viu Renato Gaúcho assumir e o time continuar na zona de rebaixamento. Ao comentar o crise, o ex-técnico desenhou um panorama dramático para a equipe carioca, além de dizer que o time é limitado e criticar o novo comandante.
Os comentários de Renato Gaúcho sobre a forma física dos jogadores irritaram Tita. “O que se deve levar em conta é o percentual de gordura. E, no Vasco, todos estão dentro do padrão. Essas coisas que o Renato fala não irritam somente os que saíram. Aborrece também as pessoas de outros clubes”, afirmou.
Após 40 dias de trabalho em São Januário, Tita admite que o time do Vasco é limitado. “Foi por isso que saí. Está difícil… O elenco é muito pobre de qualidade”, afirmou o técnico, que citou a derrota contra o Ipatinga, no último domingo. “Como é que um jogador (Jorge Luiz) que bota a mão na bola como ele fez pode ser titular?”, questionou.
Ele também explicou seu pedido de demissão após a derrota por 3 a 0 contra o Palmeiras, pela Copa Sul-Americana, quando a equipe avançaria até perdendo por 1 a 0. “Do jeito que foi a derrota, qualquer treinador ficaria de mãos atadas. Apenas deixei a situação livre para o Roberto (Dinamite, presidente) fazer o que quisesse”.
Em meio a crise, Tita elogiou a conduta do veterano Edmundo, um dos maiores ídolos história do Vasco. “Não tive uma vírgula para falar do Edmundo. Eu até lhe dizia que o Vasco não poderia ser rebaixado porque ele, com uma carreira brilhante, não poderia ser o comandante que levaria o time para a Segunda Divisão”, lembrou.
O técnico admite que a troca de diretoria prejudicou o time. Para argumentar, Tita citou um fato inusitado do jogo contra o Cruzeiro. “Isso atrapalhou. O placar estava 0 a 0 e um cara começou a me xingar. Pedi que o preparador físico fosse olhar quem era o cara. Sabe quem era? Era o filho do Eurico, com um segurança”, contou.
Para Tita, a saída de Morais, negociado com o Corinthians para a disputa da Série B do Campeonato Brasileiro, foi um erro grave da diretoria do clube. “Fiquei uma semana pedindo que ele ficasse. Não podiam ter deixado ele sair. Fui contra também a saída do Jean”, declarou o ex-treinador vascaíno.
As mudanças promovidas pela diretoria encabeçada pelo presidente Roberto Dinamite também foram criticadas por Tita. “Não era necessário demitir tanta gente. Não deviam ter tirado o supervisor Paulo Angioni. Com ele, eu teria proteção. O treinador teria um escudo. Ele orienta o treinador, troca informações e poderia dar informações no processo de sucessão”.
Como apenas mais um espectador, Tita analisou a escalação do Vasco e condenou o técnico Renato Gaúcho. “Como é que em um jogo em que o time precisa ganhar o treinador bota jogadores que não jogam há mais de três meses? Tinha que ir botando aos poucos. Será que o Renato achou que o Baiano, o Fernando e o Valmir iam jogar um partidão?”, perguntou.
Tita ainda citou alguns jogadores que não estariam dispostos a se dedicar ao Vasco. “O Wagner Diniz levou um pontapé no jogo contra o Cruzeiro. E já está há um mês no departamento médico. Agora, sai por aí nos noticiários que ele está negociando com o São Paulo. Cadê o profissionalismo?”, perguntou.
O meia Leandro Bomfim, de acordo com o ex-treinador do clube, também estaria fazendo corpo mole. “Está há seis meses no departamento médico. Um amigo meu foi jogar uma pelada do Romário e ficou impressionado. ‘Quem é esse cara que joga tanto?’ Era o Leandro Bomfim”, contou. “O Vasco é o time que mais perdeu no Brasileiro. O time é jovem e não agüenta pressão”.
*Fonte: O Dia








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