A partir dessa semana estarei aqui no Portal IMPRENSA com comentários, idéias, reflexões e provocações relativos ao universo da Música. Agradeço o convite da querida Thaís Naldoni, que abre esse generoso espaço para que eu perpetre/cometa alguns desatinos em forma de Jornalismo Musical reflexivo.
Escolhi para dar início aos trabalhos um pensamento acerca do que representa a internet para a difusão do trabalho de um músico. Com o mercado virado no avesso, com as grandes gravadoras vendendo pastel em feira para sobreviver – sim, pois disco não dá mais nada, pelo menos o que vem das chamadas ‘majors’ – , resta a salutar saída para a independência.
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| Mallu Magalhães |
Senão, vejamos: Maria Bethânia, Djavan, Elba Ramalho, Milton Nascimento, entre outros grandes, já aderiram ao segmento independente e vêm se dando muito bem. E um dos pilares da difusão do trabalho vem sendo a internet. Mas essa ferramenta de doido sem a qual ninguém sobrevive hoje em dia pode se transformar também numa faca de dois gumes (novo isso, não?). Com a liberdade de expressão e a democracia que ela pressupõe, são gerados de tempos em tempos verdadeiras esquisitices. Para não dizer aberrações.
É o caso da jovem que atende pelo nome de Mallu Magalhães. A moça, de apenas quinze anos, se transformou em fenômeno – ou seria felômeno, como diria Giovanni Improta, personagem de José Wilker na novela Senhora do Destino, de Agnaldo Silva? – através de canções postadas em seu perfil no MySpace. Seu nome rapidamente se espalhou, qual rastilho de pólvora. E todos passaram a incensá-la, inclusive coleguinhas mais afoitos que dão a jugular para corte por uma novidade.
O fato é que a jovem não representa nada de novo ou original. Empunha seu violão e uma gaita com suporte de pescoço e sai por aí trovadoreando tal qual um Bob Dylan dos trópicos. Faz canções em inglês, algumas absolutamente pueris e tão profundas quanto um pires. É inteligente, não dá pra negar, e muito esperta, pois soube lançar mão da tecnologia para se promover. Mas a coisa tomou ares de fanatismo.
A cada show de Mallu Magalhães, filas intermináveis de fãs descontrolados se engalfinham para conseguir ingresso. Urram em histeria coletiva. Usam camisetas com a cara da moçoila. Cantam suas canções desprovidas de qualquer lógica. Mallu Magalhães até tem boas idéias – não as musicais, que fique claro. Dia desses um canal a cabo exibiu matéria onde ela dirigia um curta metragem bastante interessante. A menina mostrou certo tino para o cinema, similar ao que tem para o marketing pessoal. Ela se projeta cada vez mais, mas virou um fenômeno – ou seria ‘felômeno’? – não pelo talento musical, mas para a habilidade da auto-promoção. Hoje todo mundo conhece Mallu Magalhães, mas em sã consciência poucos são os que já a ouviram cantar.
Lembra quando John Lennon disse que os Beatles eram ‘mais populares que Jesus Cristo’? Mal comparando, Mallu Magalhães vai pelo mesmo caminho. Com sua música sem conteúdo e uma inegável capacidade de auto-promoção – passou agora a freqüentar os noticiários de fofocas por seu namoro com o igualmente errático Marcelo ‘Los Hermanos’ Camelo – , essa menina tem vida longa. Mas quando as pessoas acordarem e perguntarem ‘o que ela canta mesmo?’, o tombo será inexoravelmente dolorido.
Ah, essa internet e seus mistérios…
Ficou curioso? Então visite o MySpace da garota. Ouça principalmente uma obra de nome Tchubaruba e tire suas conclusões…
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* Toninho Spessoto é jornalista, radialista e produtor musical. Graduado pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, atuou em veículos como Folha da Tarde, revistas Shopping Music e ShowBizz. veja mais







