Helio da Silva Gusmao Filho (hsgfilho@yahoo.com.br) *
Caro Prefeito Dr. José Raimundo,
Desde já, antecipando a sua despedida no próximo dia 31, gostaria de deixar registrado, enquanto cidadão conquistense e ainda ativo militante político (leia-se: não carreirista do poder), aqui o meu adeus à sua trajetória como Prefeito, acordando á ele uma breve reflexão.
O município de Conquista não pode negar: durante essa sua gestão a quantidade de obras aqui realizadas foram imensas, sendo algumas de bom tamanho, no tocante as necessidades populacionais, outras não, pois suas realizações foram meramente por conveniências políticas, sem muita adequação para a população. Assim sendo, destaca-se que o senhor foi um grande gestor público, e por ser assim acho que o município lhe será sempre grato (embora creia que na memória coletiva essa sua gestão não ficará perpetuada na história…).
Agora Dr. José Raimundo, como grande educador, historiador que o senhor é, vindo da essência nata da formação do PT (não essa discrepância de PT que hoje reina no Brasil), oriundo dos movimentos de base e “das batalhas sociais” de onde derivava a utopia da construção de um Brasil livre das tiranias, solidário, embasado na construção sobre a ótica da classe trabalhadora: o senhor deixou de dar uma aula sobre como governar o município, não sabendo ser prefeito.
A sua gestão, Dr. José Raimundo, como Prefeito não aconteceu!
A história que o senhor deixa delegada para o povo conquistense e adjacências, não geraram nada de novo na má e vilipendiada estrutura de governo hoje vigente no país.
O senhor como sublime educador poderia, muito bem, ter dado grandes aulas de como se governar, sobre o prisma da ética e da moralidade e de um projeto diferente do status quo reinante nas searas do poder, mas como o senhor não foi capaz de governar com o seu próprio perfil, deixando que outras autoridades municipais (secretários, coordenadores, grupos políticos e afiliados partidários), fizessem “sua gestão”( o resultado das urnas assim, de fato e de direito, demonstra, pois a vitória do seu sucessor em nada foi embasada pela sua administração – vide as pesquisas que demonstravam “sua cara” na zona rural e aquelas pesquisas que na cidade comprovavam que mais da metade da população ainda acreditavam que o Prefeito fosse Dr. Guilherme-, pelo contrário, se assim fosse, talvez a derrota seria iminente, né?). Triste partida Dr. José Raimundo.
Se o senhor tivesse dado boas aulas como Prefeito, quem sabe:
• não teríamos visto tanto nepotismo perdurar nas hostes municipais;
• teríamos visto secretários/as e outras chefias deixando de destacarem os seus perfis de novos ricos e ter, de fato e de direito, prestado bons serviços à população;
• teríamos visto as prestações de contas sido mais transparentes e, de fato e de direito, tomarem o rumo que lhes eram destinadas;
• não teríamos visto a preocupação de se fazer concursos, somente para lesarem pessoas e as sacrificarem, no sentido de garantir votos e, até hoje, ainda não ter dado justificativas plausíveis para a não contratação dos aprovados;
• teríamos visto que, desde cedo, pela necessidade da população, uma reforma administrativa e política ocorreria na administração municipal e não teríamos visto o perpetuar de cargos somente para agradar (ou talvez por coesão?) os coligados partidários, deixando muitas vezes transparecer que para o povo virava as costas e que o importante era agradar “aos amigos políticos”;
• teríamos visto o Prefeito, sem necessidade da blindagem que foi feita durante toda sua gestão, vir às massas para dialogar ou ouvir as queixas que seriam importantes para o seu legislar e não teríamos ficado reféns de secretários, os quais, além de não darem a mínima para o que era questionado, nunca conseguiram respostar sobre essas questões, durante todo esse período;
• teríamos visto políticas publicas e projetos sociais, de fato e de direito, serem implementados (cadê o Conquista Criança, o amigo da UNICEF?????), como anseios de cidadania e não meramente “fachadas eleitorais”;
• teríamos visto uma transformação em relação aos movimentos sociais e populares e não, por causa da conveniência política e para dar mais despesas aos cofres públicos, teríamos visto todas as lideranças serem alicerçadas, pela cooptação política, para darem alicerce ao governo municipal e se silenciarem perante as questões das categoriais e dos reclamos populacionais;
• teríamos visto muito menos gastos com publicidades, sem resultados práticos (permanecendo, assim como está o governo Wagner, embasado na suposição do os munícipes) bastando somente que o Prefeito viesse até o povo, com vontade de saber ouvir seus reclamos e se colocar, dentro das possibilidades ou não, de saber o que deveria ser presente no Orçamento Participativo e assim não manteria latente as imposições dos “chefes políticos”;
• teríamos visto o Prefeito reconhecer que a sua equipe de governo, desde o inicio, foi renegada pelo povo conquistense e somente o Prefeito assim não o sabia;
• teríamos visto uma equipe de governo que, de fato e de direito, pudesse ter prestados bons serviços e assim, quiçá, pudessem serem reconhecida pela população e, também, teríamos visto que os nomes enviados à Salvador, para comporem o governo Wagner, “seriam competentes” para a Bahia, trazendo algum retorno (quando virá esse merecimento?) á Conquista e não somente o bel prazer nos cargos ocupados;
• teríamos visto que o Prefeito educador, pelo menos, poderia ter apresentado algo concretos nas searas educacionais do município ( a biblioteca municipal, como exemplo puro, continuar a ficar sempre no meio do mato, entregue as moscas) e, pelo contrário, o deixado na educação foi o pior projeto já visto por um governante;
• teríamos visto a manutenção da quebra do monopólio dos meios de transportes mantido e a vontade de melhorar esse sistema, e não a entrega dele a grupos familiares e ter feito com que esse serviço, o mais usado pela população, ficasse tão deteriorado;
• teríamos visto um Prefeito mais contundente – não ficando somente na garantia de maquiar os dados, negando esses direitos à população – em desejar sanar, propiciando bons serviços, a ruindade do serviço de saúde e os aspectos pertinentes à falta de segurança que hoje vigora em Conquista;
• teríamos visto um Prefeito se comunicar com os seus munícipes, sem necessidade de ter uma SECOM tanto sem comunicação, nunca conseguindo “falar” o que devia ser dito à população;
• teríamos visto um Prefeito sendo Prefeito, de fato e de direito, em Conquista.
Quem sabe, agora ao deixar o cargo, o Prefeito consiga aprender com as más lições deixadas e, se num futuro próximo ainda querer fincar-se nas estripulias do poder, possa vir a dar alguma aula magna e assim ensinar-nos que o poder não somente ensoberbece a alma humana, mas que pode fazer com que aqueles que ocupam cargos mandatários, delegados pelo povo, sejam capazes de ao povo servirem.
Como seria bom se, pelo menos, o Prefeito que assumirá a partir do dia 1 de janeiro conseguisse enxergar alguns desses erros cometidos pelo seu antecessor, e viesse, a partir do assumir suas funções, ser capaz de governar – devido aos anseios populacionais demonstrados pela grande votação e desejos de mudanças-, embasado no construir o projeto político a partir da real necessidade dos seus munícipes e não ficar refém (o Dr. Guilherme, em nada necessita dessa realidade, pois a sua votação foi pelo desejo da massa e não pelas imposições partidárias) dos mecenas políticos, travestidos pelas falácias partidárias que hoje vigoram no país, principalmente pelos coligados conquistenses. Que o Dr. Guilherme possa, pelo menos, construir sua equipe de governo pela certeza de que os que ele empossar, será capazes de prestarem bons serviços e não somente, como fizeram no governo do Dr. José Raimundo, da município de Conquista, a Casa da Mãe Joana. Quem viver verá?
Desejo que nos próximos quatros anos de governo, a cidade de Conquista seja vista pelo novo governante e não fique somente marcado pela nova gestão, uma eterna ladainha de o que deve ser feito, um agrado aos partidários políticos, e que, quando chegar o apagar das luzes possamos dizer: DE FATO O MUNICIPIO DE CONQUISTA TEVE UM PREFEITO E NÃO MERANTE UMA FACHADA.
E nesse espírito de construção, desejo á todos e todas um FELIZ ANO NOVO e que os novos governantes, principalmente, possam para o povo conquistense propiciarem!
Assim seja!
Fraternalmente,
HELIO DA SILVA GUSMÃO FILHO
Cidadão Nato Conquistense
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1 comentário ↓
1 Ney de Itapuã // 31 de dezembro de 2008 às 20:32
Não sou amigo do prefeito, não o conheço na intimidade e nem ao menos votei nele mas reconheço a sua excelente gestão (melhor até que a de guilherme com todo o oba-oba do PT.)
…Contudo o que mais adimiro no professor é a sua capacidade de ser humano. A sua simplicidade e a saudavel ausencia de deslumbramento típicos dos que estão no poder talvez tenha incomodado alguns.
Avante Zé, sou mais vc.
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