Estudante foi ouvida nesta sexta-feira pelo delegado.
Ela disse que não tem medo de ser presa por ser ré primária.A estudante de pedagogia suspeita de jogar produto químico em uma caloura grávida durante um trote em Santa Fé do Sul (SP) nega que tivesse intenção de machucá-la. Priscilla Vieira Rezende Muniz, 18 anos, teve queimaduras pelo corpo e chegou a ficar internada por um dia.
“Eu joguei o produto, mas não sabia que o produto queimava. Achei que só cheirasse mal”, afirmou a estudante ao G1. “Eu nem sonhava que ela estava grávida. Se soubesse que ela estava grávida, não teria nem chegado perto”. Na manhã desta sexta-feira (27), ela foi ouvida pelo delegado Gervásio Fávaro, encarregado do caso.
“Se tiver que entregar cesta básica, vou fazer numa boa”, diz. Ela conta que, no início, ficou com medo de ser presa. “Agora, eu não tenho mais esse medo. A minha advogada explicou que, como eu sou ré primária, não devo ir presa.”
Brincadeira de mau gosto
Na opinião da estudante, a repercussão do caso na imprensa foi excessiva. “Eu não sei se estivesse no lugar dela [Priscilla] se teria me exposto assim. Não iria por a faculdade nessa situação. Eu acho que não tinha necessidade de tudo isso. Foi uma brincadeira de mau gosto da minha parte, eu sei disso”, afirma.
“Tiveram casos mais graves, como o menino que entrou em coma e aquele outro que morreu num trote da USP”, diz, referindo-se ao caso do estudante da cidade de Leme (SP) e ao calouro de medicina, que morreu afogado em 1999 durante um trote.
Compra do produto
Ela conta que comprou o desinfetante na manhã do próprio dia 9 de fevereiro, quando ocorreu o trote. “Eu fui com um amigo até uma loja de produtos veterinários e pedi por algo que cheirasse mal. O vendedor me deu uma lata, mas não disse que poderia queimar. Depois, nós compramos outras coisas, como batom e esmalte, parar usar também no trote.”
A estudante afirma que os produtos foram comprados com cerca de 40 reais, arrecadados entre colegas da faculdade. À noite, quando chegou na faculdade, distribuiu essas coisas entre os veteranos e ficou com a lata na mochila. “Abri a lata com um estilete e, quando a Priscilla passou, eu joguei. Eu nem a conhecia, só de vista. Um amigo meu que disse que ela vinha e eu joguei.”
Priscilla tem uma história diferentes. “Quando eu estava saindo, ela me disse: ‘Se eu não te pegar hoje, te pego amanhã’. Então, eu corri de volta para dentro da faculdade e esperei um pouco. Saí de novo e aí então ela jogou”, lembra. “Na hora, senti um mal estar muito forte por causa do cheiro. Pensei logo na criança. Nem senti a queimação naquele momento. Fiquei tonta e sentei um pouco num banco.”
A veterana nega o motivo tenha sido vingança ou briga. “Eu nem conhecia a Priscilla, só sabia quem era de vista. Chegaram a dizer que a gente tinha um caso e que eu estava enciumada que ela estava grávida. Também disseram que ela tinha saído com um ex-namorado meu, mas não tem nem como, porque depois ele ‘virou’ gay”.”
Mais alunos
Além de Priscila, mais três alunos também tiveram queimaduras. No entanto, ao contrário de Priscilla, que acusa a veterana de pedagogia, eles não souberem apontar quem jogou o produto. “Joguei só na Priscilla e em mais ninguém. Devia ter mais alguém com o mesmo produto.”
O delegado afirma que o caso ainda está sendo investigado, mas que “não dá para descartar a possibilidade de que ela mesma tenha jogado nas outras pessoas também”, afirmou o delegado. “Irei ouvir mais duas pessoas.”
A Fundação Municipal de Educação e Cultura (Funec) irá aguardar a conclusão do inquérito policial para anunciar oficialmente a sua decisão, se a estudante será expulsa ou não.
A estudante conta que trancou o curso de pedagogia na mesma semana em que houve o trote. “Eu não quero voltar mais lá. Quero tentar uma transferência para uma outra cidade. Se não der certo, vou começar do zero, num outro curso.”
Gravidade
Fávaro disse que é preciso que saia o resultado do exame de corpo de delito para determinar a gravidade da lesão nas jovens. “O médico legista é quem irá definir se foi uma lesão leve ou grave. Com isso é que vou poder indiciar ou não”, explicou.
Segundo ele, para o crime de lesão corporal dolosa leve, a pena varia de três meses a um ano de reclusão; para o crime de lesão corporal dolosa grave, a pena vai de um ano a cinco anos.
Fernanda Calgaro Do G1, em São Paulo








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1 comentário ↓
1 Jailson // 28 de fevereiro de 2009 às 11:52
Cadeia é pouco pra essa bandida e todos os que praticam trotes violentos nesse país.
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