Mais importante pilar de sustentação de Sarney no comando da presidência do Congresso, o DEM já trabalha nos bastidores com a ideia de pedir o afastamento temporário dele.
Sem o aliado, ficará difícil para o PMDB segurar Sarney na cadeira de presidente. Além do DEM, outros partidos da base aliada e da oposição, como o PSDB e o PT, também devem se reunir à tarde para examinar a situação política de Sarney.
Na tentativa de influenciar positivamente a decisão do conjunto da Casa, Sarney enviou carta aos 80 senadores nesta segunda, comunicando que pedira à Polícia Federal para investigar todos os empréstimos consignados no Senado e as empresas que operam na área.
Ele classificou a reportagem do jornal “O Estado de S. Paulo”, que revelou os negócios do neto José Adriano com crédito consignado, de “falsa denúncia”. O principal argumento para defender o neto foi o fato de que a autorização do Senado para operar crédito consignado com o HSBC saiu em maio de 2005. “Eu não ocupava nenhum cargo na Casa”, frisou.
O líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), adianta apenas que tentará obter o consenso da bancada. Lembra que o ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi foi afastado por causa das denúncias de corrupção e defende a tese de que não se pode ter “dois pesos e duas medidas”.
Dirigentes do DEM e do PSDB avaliaram que a carta não foi suficiente para responder às dúvidas, nem tampouco para interromper a sucessão de denúncias. Para tucanos e democratas ouvidos pela reportagem, o argumento de Sarney não comprova a inexistência de tráfico de influência, nem convence a opinião pública de que não houve favorecimento. As informações são do jornal “O Estado de S. Paulo”.
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