Lamentar, indignar-se são atitudes necessárias, mas não suficientes para solucionar a crise no Senado Federal. O clamor popular deve ser canalizado para exigir punição exemplar dos envolvidos. Todos. Da área administrativa, que se transformou num antro de corrupção. E dos senhores senadores. Todos. Que, por ação ou omissão, são responsáveis pelos odores fétidos emanados daquela Casa, nos últimos 15 anos, no mínimo. Não pode escapar ninguém.
E o senador José Sarney, o que fazer com ele? O oligarca do Maranhão tem responsabilidade maior, pois está por lá há quase duas décadas, e pela terceira vez ocupa a sua presidência. Aliás, Sarney devia se envergonhar pelo que fez e deixou de fazer por seu estado natal nos últimos 40 anos de domínio completo daquela unidade federativa, considerada hoje a mais atrasada e miserável do país. Precisaria dizer mais?
Cabe, então, uma indagação. Porque o presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores defendem a impunidade desse senhor e sua permanência na presidência do Senado? A resposta é simples: está em jogo a governabilidade. O governo está refém do PMDB e de seu líder maior. Enquanto não for feita a reforma político-partidária, de que tanto se fala, situações como essa poderão surgir frequentemente. A oposição, sem bandeira e sem discurso, adepta do quanto pior melhor, oportunistícamente, aproveita o momento de crise para faturar eleitoreiramente com vistas a 2010. Seria a sua tábua de salvação. Dane-se o Brasil!
Lúcio Flávio V. Lima
lucio.maisa@terra.com.br





