DIRETO DA PRAÇA
Paulo Pires (*)
O leitor José Valente, sempre atento aos problemas nacionais, regionais e locais (com foco mais no local) vive brigando [intelectualmente] com nossas autoridades para que estas se dediquem a ações mais efetivas com vistas a solução dos muitos problemas que afligem nossa comunidade. É uma luta constante a do Valente. Inda bem que ele traz no nome características para a guerra.
Suas observações são sempre muito interessantes, embora algumas não sejam exequíveis no curto e médio prazo. Isto não significa que devam ser desprezadas. Ao contrário. Devem ser analisadas sob a ótica da isenção política e quando puderem ser realizadas que o sejam pela mão segura da administração pública competente.
Há alguns anos, venho acompanhando as preocupações desse leitor [agora também articulista] e percebo que embora ele não faça menção direta, a questão demográfica do País é uma de suas preocupações. Só que ainda em plano secundário. Ainda assim, pressinto ser esta uma de suas inquietações. De minha parte, pela importância desse Estudo [Demografia] e pelas contribuições que ele oferece, penso que o problema demográfico do Brasil deveria estar na ordem do dia, em plano superior. A demografia a que nos referimos não se restringe apenas ao acompanhamento de quantas pessoas nascem, quantas morrem, quantas migraram, etc.etc. A demografia a que nos reportamos é aquela que responde a questões de natureza quantitativa e qualitativa total em relação à Sociedade.
O Brasil está passando por um momento histórico-econômico-social muito interessante. Seria oportuno então que nossos cientistas sociais se pronunciassem sobre a qualidade da sociedade que estamos construindo. Eles têm à disposição bancos de dados muito elucidativos sobre a composição de nossa população. E diria ainda, em relação à Educação: Os projetos pedagógicos e institucionais [do ensino fundamental e básico] deveriam conter elementos substanciais que indicassem com clareza o perfil do nosso alunado, suas origens sócio-econômicas, familiares, crenças, valores e o horizonte que aspiram para orientação construção e materialização dos seus objetivos.
Pelo que conhecemos do Brasil atual, nossa massa de jovens, em sua maioria, não tem mais o “suporte” da família como estrutura para a educação e realização dos seus sonhos. Os pais contemporâneos, premidos pelas necessidades técnico-profissionais além das sociais, não acompanham mais os filhos. Raras são as famílias que priorizam o dia-a-dia com eles. As crianças, adolescentes e jovens, naturalmente e em função desse distanciamento, têm imensas dificuldades para se tornarem os seres humanos que elas, as famílias, desejariam que fossem. Infelizmente muitos pais – expressiva maioria – ou se diz ocupados demais para os filhos por causa da vida profissional ou afirmam não poder acompanhá-los em função de intensa vida social que levam. Acreditam esses que os seus pimpolhos, pelo fato de estarem bem instalados, com cama, comida boa e “nada lhes faltar” tornar-se-ão pessoas repletas de êxitos em suas vidas. Lamentavelmente, a realidade contradiz esse pensamento.
Quando falamos da família acima, estamos nos referindo àquelas de padrão classe média alta prá cima. Mas existe, por outro lado, as famílias menos aquinhoadas que passam pelo sofrimento da insuficiência dos bens materiais até chegar às insuficiências de ordem moral (que atinge também às outras).
Seja o extrato social que for, há problemas de estruturação familiar com graves reflexos na vida pessoal dos jovens. Nossa demografia parece ainda muito primária para municiar nossos governos de informações capazes de implementar políticas visando urgentes transformações sociais. Há poucos dias, conversei com uma jovem que está esperando bebê. Pela fisionomia julguei que a moça tivesse idade não superior a 25 anos (posteriormente fui informado: 23 anos). Antes de saber a idade, fiquei surpreso (sem demonstrar) que uma moça tão jovem estivesse esperando bebê. Ela me disse (e aí não consegui esconder meu espanto!) que “este que está vindo agora é o quarto”. Isso mesmo, o quarto filho. Em tempo: a moça não tem marido, casa ou emprego fixo. Quem e como ela vai sustentar e educar os filhos?
Estou longe, muito longe de pensar em uma Eugenia (aquela tese nazista de “melhor raça” proposta pelo diabólico Hitler). Mas, penso eu: Os nossos cientistas devem entrar em campo o mais rápido possível. O país inteiro está repleto de casos como o dessa moça. O que existe de meninos e meninas nascendo sem pai, emprego, lar, educação, assistência social, familiar e sem futuro nenhum é uma barbaridade. Cadê o nosso Ministério do Desenvolvimento Social? É hora de tomar providências senão esses meninos, excluídos crônicos, vão tomar [no pior sentido] conta do Brasil. E não vai ser por intermédio do voto popular, Valente que o diga. Ó senhor tende piedade de nós!






chato e nada ve
Verdade chato e manda a ver