“Ela foi casada cinco vezes. Primeiro com um italiano, depois com um português, mais tarde com um judeu, logo após com o mesmo italiano e, em seguida, com um japonês.”
A julgar pela quantidade de casórios da sinopse, Safira, papel de Cláudia Raia em “Belíssima” (2005), está inserida na “modernidade líquida” –ela e boa parte dos personagens de 13 novelas que a Globo exibiu de 2000 a 2008 no horário nobre. É uma das primeiras conclusões do trabalho de doutorado do mestre em educação Marcus Tavares, 35.
Para o estudo, em andamento na PUC-Rio, ele categorizou os relacionamentos dos folhetins seguindo os perfis, como o de Safira, descritos no site Memória Globo (núcleo que pesquisa a história da emissora).
Segundo o ranking, são 32 casos de “mais de um casamento ou relação estável”, seguidos por 29 “relacionamentos curtos e descartáveis, com filhos fora do casamento” e 20 histórias de “homens ‘conquistadores’ e mulheres ‘fáceis’”.
“Autores [de novelas] estampam a realidade, e o que dizem sociólogos, como [o polonês Zygmunt] Bauman e sua ‘modernidade líquida’”, diz o pesquisador. O amor no horário nobre, enfim, é tão fluido quanto fora dele.
Folha Online








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