Um poema circunda as vistas…

13 de fevereiro de 2010, às 7:38h

A lua nascia brancaQuando a noite

Ainda era dia.

Um amigo falava das suas ânsias

Na beira da rua

Falava ao poeta e suas ânsias

Falava comedido

Falava dos amores perdidos

Ou nunca encontrados.

Falava e falava

Falava da fome da alma

Falava da sede

Falava do suicídio nunca tentado,

Mas pensado e remoído.

Falava ao poeta angustiado

Que acabara de perder algumas palavras

Necessárias ao poema dali.

Poema de rua e pessoa.

Não da pessoa de Pessoa

Que também carregava a pessoa

E suas angústias de Pessoa…

Falava e falava,

Mas na verdade queria chorar

Queria falar com lágrimas

E molhava as lágrimas com álcool,

Cachaça de alambique.

Falava e falava

E do alto

A lua nascia branca

Quando a noite ainda era dia…

E no papel

Um poeta mudo escutava…

Pois um olhar amargo

Amargava o olhar do poeta

Na beira do papel,

Deixando-o mudo sem letras,

Sem caneta, sem papel na beira do papel

Apenas orelhas e um olhar

Onde um poema circunda

Querendo acalentar a alma

Tanto do homem angustiado

Quanto do poeta e suas angústias.

JeanClaudio

09/02/10

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1 comentário ↓

  • 1 Alberto Marlon // 13 de fevereiro de 2010 às 7:50

    Já sou teu fã mas talvez seja este poema que mais me identifiquei. Clap, clap.

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