13 - fev - 2010

Um poema circunda as vistas…

  • A lua nascia brancaQuando a noite

    Ainda era dia.

    Um amigo falava das suas ânsias

    Na beira da rua

    Falava ao poeta e suas ânsias

    Falava comedido

    Falava dos amores perdidos

    Ou nunca encontrados.

    Falava e falava

    Falava da fome da alma

    Falava da sede

    Falava do suicídio nunca tentado,

    Mas pensado e remoído.

    Falava ao poeta angustiado

    Que acabara de perder algumas palavras

    Necessárias ao poema dali.

    Poema de rua e pessoa.

    Não da pessoa de Pessoa

    Que também carregava a pessoa

    E suas angústias de Pessoa…

    Falava e falava,

    Mas na verdade queria chorar

    Queria falar com lágrimas

    E molhava as lágrimas com álcool,

    Cachaça de alambique.

    Falava e falava

    E do alto

    A lua nascia branca

    Quando a noite ainda era dia…

    E no papel

    Um poeta mudo escutava…

    Pois um olhar amargo

    Amargava o olhar do poeta

    Na beira do papel,

    Deixando-o mudo sem letras,

    Sem caneta, sem papel na beira do papel

    Apenas orelhas e um olhar

    Onde um poema circunda

    Querendo acalentar a alma

    Tanto do homem angustiado

    Quanto do poeta e suas angústias.

    JeanClaudio

    09/02/10

  • Posts Relacionados

    1 Comentário

    1. Já sou teu fã mas talvez seja este poema que mais me identifiquei. Clap, clap.

    Escreva seu comentário

    O seu endereço de email não será publicado