A lua nascia brancaQuando a noite
Ainda era dia.
Um amigo falava das suas ânsias
Na beira da rua
Falava ao poeta e suas ânsias
Falava comedido
Falava dos amores perdidos
Ou nunca encontrados.
Falava e falava
Falava da fome da alma
Falava da sede
Falava do suicídio nunca tentado,
Mas pensado e remoído.
Falava ao poeta angustiado
Que acabara de perder algumas palavras
Necessárias ao poema dali.
Poema de rua e pessoa.
Não da pessoa de Pessoa
Que também carregava a pessoa
E suas angústias de Pessoa…
Falava e falava,
Mas na verdade queria chorar
Queria falar com lágrimas
E molhava as lágrimas com álcool,
Cachaça de alambique.
Falava e falava
E do alto
A lua nascia branca
Quando a noite ainda era dia…
E no papel
Um poeta mudo escutava…
Pois um olhar amargo
Amargava o olhar do poeta
Na beira do papel,
Deixando-o mudo sem letras,
Sem caneta, sem papel na beira do papel
Apenas orelhas e um olhar
Onde um poema circunda
Querendo acalentar a alma
Tanto do homem angustiado
Quanto do poeta e suas angústias.
JeanClaudio
09/02/10








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1 comentário ↓
1 Alberto Marlon // 13 de fevereiro de 2010 às 7:50
Já sou teu fã mas talvez seja este poema que mais me identifiquei. Clap, clap.
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