Por Clidemar Amorim Risério
A imprensa televisada, escrita e falada vem noticiando sem dar tréguas e com bastante eloqüência os atos de corrupção supostamente praticados por agentes políticos e mandatários do primeiro e segundo escalão de todas as esferas de governo. O povo brasileiro está esgotando a paciência e já não suporta mais tantos desmandos administrativos.
A corrupção não é novidade na república federativa do Brasil, mas chama atenção nas últimas décadas a exposição pública de um grande número de escândalos. Relatos de pesquisadores do assunto comprovam que em 40 (quarenta) anos aconteceram 224 (duzentos e vinte e quatro) casos graves de desvio de recursos públicos.
A situação está se agravando de tal maneira que a pacata e ordeira população brasileira já começou a exigir publicamente das autoridades competentes, providências no sentido de punir rigorosamente os gatunos do erário público.
É pública e notória a indignação do cidadão de bem! Configurando essa melancólica realidade, no dia 07 (sete) de setembro do corrente ano, no centro da capital de todos brasileiros, houve uma enorme caminhada em defesa da probidade administrativa que percorreu a esplanada dos ministérios e o gramado do congresso nacional. A referida manifestação foi intitulada “movimento verde e amarelo” e encerrou na praça dos 03 (três) poderes, com uma gigantesca concentração popular de mais ou menos 40 (quarenta) mil pessoas, onde a multidão bradava palavras de ordem exigindo o fim da corrupção.
O protesto chamou atenção de vários parlamentares e particularmente da deputada federal Erika Kokay (PT-DF), que após 48 (quarenta e oito) horas da realização do evento cívico e democrático, ocupou a tribuna livre do plenário da câmara federal e fez um eloqüente discurso elogiando a coerente mobilização. A legisladora propôs a criação de uma agenda parlamentar anticorrupção, e anunciou também que em breve estaria protocolando na secretaria da referida casa legislativa nacional, um projeto de lei com finalidade específica de promover alterações no artigo 157 do código penal brasileiro (CPB), tipificando o desvio de dinheiro público como latrocínio.
O crime de corrupção praticado diretamente contra o bom andamento de programas de governo, é equivalente ao roubo seguido de morte, e por isso quem o pratica, deve ser punido rigorosamente, independente do cargo que ostenta em qualquer dos entes federativo.
O desvio de recursos na saúde pública leva as pessoas a óbito, principalmente aquelas mais humildes: pela a falta de leitos hospitalares, profissionais qualificados e motivados, consultas médicas especializadas, de cirurgias em tempo hábil, medicamentos de boa qualidade e de unidades de tratamentos intensivos (UTI).
O efeito perverso que predomina na saúde pública pela subtração fraudulenta de dinheiro do povo, impera também no mesmo nível na infra-estrutura: faltam recursos para investimentos suficientes em construção e manutenção de rodovias, de vias urbanas e em campanhas educativas de trânsito. A falta dessas ações por parte do Estado contribui e muito para o acontecimento dos trágicos acidentes automobilísticos, responsáveis por um alto índice de óbitos prematuros no país.
O roubo do dinheiro público, afeta todos os setores do governo. A corrupção é um autêntico atentado contra a democracia e só a pressão popular poderá conter esse grande mal que infelizmente está abalando os pilares da república brasileira.
Políticos ímprobos não merecem de forma alguma, uma segunda oportunidade. Eles são verdadeiros lobos revestidos com pele de carneiro, promovem atitudes maléficas que sacrificam a população e ainda expõe a nação a ridículo. Esses inimigos da pátria, precisa ser eliminados da vida pública pelo o próprio cidadão através do voto livre e soberano.
Na minha convicção, acho que chegou a hora da sociedade dar um basta à corrupção e a impunidade. Que corruptos e corruptores sejam exemplarmente punidos com penas de reclusão, banimento do meio político e condenados ao pronto ressarcimento do dinheiro público surrupiado.
Brumado-BA, 21 de dezembro de 2011
Clidemar Amorim Risério





