No dia 28 de dezembro de 2011 recebemos um email com graves denúncias envolvendo o ProJovem Adolescente de Conquista. As denúncias são respaldadas por cartas dos próprios alunos (veja os scans no final da matéria).
O ProJovem é desenvolvido por meio da parceria entre o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome/MDS e a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social da Prefeitura de Vitória da Conquista, através do Centro de Referência de Assistência Social/Cras. Em Vitória da Conquista são 38 coletivos localizados em diversos bairros da cidade. A proposta do projeto é que os participantes tenham acesso a atividades que estimulem o desenvolvimento de suas potencialidades e o convívio social, além da participação cidadã.
Enviamos e-mail com cópia das denúncias solicitando um posicionamento da Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Conquista mas não obtivemos resposta até a publicação deste post.
Segue cópia na íntegra do email (a identidade da denunciante foi preservada para evitar represálias contra a mesma)
Venho através deste relatar várias irregularidades do Projovem Adolescente de Vitória da Conquista e o descaso com os nossos jovens que participam do programa.
Para começar pela falta de estrutura, pois apesar da verba que chega para o programa falta materiais de apoio como ofício, canetas, lápis, craft, xerox, entre outros. Nós só tivemos esse material e pudemos trabalhar porque as instituições parceiras nos cederam. Falta merenda e quando mandam, além de pouca qualidade também não vêm em quantidade. Algumas vezes tivemos de comprar com nosso próprio dinheiro para que os jovens não ficassem sem o lanche.
Não temos oficinas, planejamento (não segue o recomendado pelo MDS), nem capacitações (quando participamos ainda descontam o salário, mesmo pedindo autorização prévia e apresentando atestados, certificados e relatórios), não temos pessoal de apoio, apenas uma merendeira para preparar, servir e limpar e ainda receber merenda e quando ela falta, por doença, nós educadores é que temos que fazer tudo isso. Não temos TV, DVD ou som, quando necessário trabalhar filmes ou músicas nós educadores temos que trazer de casa.
Quando acontece alguma atividade fora do coletivo o descaso é maior ainda. Os intercâmbios com outros coletivos é um exemplo disso, a coordenação nunca solicita ônibus para o translado dos educandos, é sempre em uma van com capacidade para 12 mas que leva 25 e até mais, transportados um por cima do outro. As coordenadoras do Projovem, Maria Soraya Santos e Fabiana Silva Novais já foram orientadas que não poderiam levar os jovens dessa maneira (principalmente pela segurança deles) e que deveriam solicitar o transporte com antecedência para a Secretaria Municipal de Educação – SMED ou empresas de transporte urbano, mas disseram que não querem, preferem pagar ou usar a van (que é o que o ProJovem tem).
Festas
Tivemos duas festas em 2011, a primeira para comemorar o São João, contrataram poucos ônibus para muitos educandos e como sempre deixaram eles esperando por algumas horas até que os ônibus chegassem, em péssimo estado de conservação, caindo aos pedaços para ser exata. Foi dada pouca assistência aos jovens durante o evento e ao final, a coordenação junto com alguns educadores e oficineiros fizeram a festa deles banhado a cerveja comprada com a verba destinada aos jovens do programa.
Na segunda festa, de confraterinizaçao de final de ano, foi ainda pior como podem ver através dos relatos dos próprio jovens (scans das cartas no final da matéria), alugaram o Sítio Cuiabá no povoado do Peri Peri, o ônibus que estava marcado para as 8h30 chegou às 12:00, fomos um em cima do outro, 2 ônibus para 300 pessoas , sendo que alguns estavam nos seus coletivos e mandaram que os educadores fossem para a praça do Clube Social onde não tinha lugar para sentar, banheiro, água, sombra, segurança…. o ônibus não paravam na porta, ainda tivemos que andar 15 minutos na estrada de chão para chegar ao local, chegando lá não tinha comida pronta, encheram a barriga dos meninos de doce enquanto aguardavam o almoço e este quando foi servido foi desperdiçado.
Contrataram 5 alunos do curso de bombeiro civil, que tentaram esconder com uma fita adesiva o nome “aluno” nos uniformes. Não estavam trajados devidamente para uma festa à beira da piscina (usavam calça e tênis), uma educanda se afogou e foi preciso procurar pelos “bombeiros” para socorrê-la mas quando eles chegaram os outros educandos já haviam tirado a garota da água e feito algumas massagens.Não havia nenhum segurança, garçom ou servente, os educadores tiveram que “se virar nos 30″ para fazer tudo e ainda cuidar dos educandos do seu Coletivo.
Além da cerveja que já estava no sítio quando chegamos, durante a festa alguns oficineiros passarem pelo meio de todos com caixas e mais caixas de cerveja (litrão) . A coordenação anunciou em alto e bom tom no microfone que era para os educandos irem embora sozinhos pois iria começar a festa dos educadores.
Às 17:00 deram por encerrada a festa dos jovens, mandando que eles descessem pois os ônibus estavam à sua espera, muitos desceram sem seus educadores que ficaram no sítio para a segunda festa junto à coordenação do ProJovem Adolescente.
Descemos novamente, 15 minutos de estrada de chão até chegar na pista para pegar o ônibus. O ônibus que levou o pessoal do Guarani, Cruzeiro e Alto Marom não voltou mais depois da primeira viagem, ficamos com um único ônibus. Ficamos na pista das 17:00 às 21:00 esperando ônibus, sem água, comida, banheiro, e iluminação. Apenas 4 educadores para cuidar de mais de 150 educandos. Alguns professores, cerca de 30, não suportaram a espera e voltaram para casa a pé, inclusive uma educanda que estava grávida, correndo vários riscos, principalmente porque já estava anoitecendo e estavam passando por uma BR. Os que suportaram a espera, ligaram para a Coordenação que nada fez, estavam se embriagando e pouco ligavam para nós , ligamos para o Conselho Tutelar, falamos com Eloísa mas o Conselho não chegava lá. Muitos pais ficaram desesperados sem saber notícias dos filhos, ligando para os orientadores, colegas até para a Polícia para saber notícias.
Esse foi o encerramento do ProJovem Adolescente em Vitória da Conquista.
Agora eu pergunto, que providências tomar para que isso não aconteça novamente?
A Coordenação tem capacidade de coordenar um Programa desse porte?
E os direitos dos jovens em relação ao ECA, como fica?
O que fazer agora?
Gostaria que alguém pudesse ler e responder essas e tantas outras questões.
Segue os scans com as comprovações das denúncias:
Carta de Gustavo de Jesus Novais
Leia a resposta da Prefeitura de Conquista sobre as denúncias






Esses jovens são filhos de trabalhadores que batalham diariamente na perspectivas de melhora de vida, e confiam os seus filhos a esses programas. Mas, como sonhar num futuro se o presente é o esquecimento na BR enquanto coordenadores festejam o assassinato ao ECA?
É lamentável que uma proposta tão boa não tenha a atenção necessária! Isso pode produzir nos jovens, mais uma vez, o sentimento de rejeição, abandono e de menor valia, com o qual já tem se deparado em sua vida. O Projeto se propõe a potencializar os jovens e pode fazer exatamente o contrário do que se propõe. Pode produzir também o descrédito diante dos parceiros e educadores, de forma que não se comprometam da forma esperada, já que não encontram respaldo.
E interessante que os alunos denunciem todo esse descaso, mas quero dizer aqui q esse descaso n é só com o aluno não, tem lugares que o orientador social é tratado como escravo, conheci uma cidade chamada caxias, situada no maranhão, que lá sim o orientador social é humilhado, e pra quê? receber um salário mínimo, trabalhar dois turnos todo dia e ainda ser responsável pela matrícula de cada aluno. Q absurdo esse nosso Brasil, o Brasil das desigualdades.
E interessante que os alunos denunciem todo esse descaso, mas quero dizer aqui q esse descaso n é só com o aluno não, tem lugares que o orientador social é tratado como escravo, conheci uma cidade chamada caxias, situada no maranhão, que lá sim o orientador social é humilhado, e pra quê? receber um salário mínimo, trabalhar dois turnos todo dia e ainda ser responsável pela matrícula de cada aluno. Q absurdo esse nosso Brasil, o Brasil das desigualdades.